Augusto César desafia Fonseca a ser candidato a prefeito pelo PR

Âncora do Sertão
Augusto César visita Redação do Âncora do Sertão. Foto: Anderson Serafim / Âncora

Augusto César visita Redação do Âncora do Sertão. Foto: Anderson Serafim / Âncora

O deputado estadual Augusto César (PTB) esteve na Redação do Portal Âncora do Sertão dando uma entrevista exclusiva sobre sua atuação na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e também falando sobre o cenário político de Serra Talhada. Durante passagem aproveitou para desafiar Dr. Fonseca (PR) a ser candidato do partido nas eleições deste ano.

Âncora: Você emplacou vários projetos no ano de 2015. Nesse percurso, como avalia sua atuação na Alepe?

Augusto César: Pra mim foi um ano positivo. Estou no exercício do meu quinto mandato de Deputado Estadual e se fosse fazer uma analogia entre este ano de 2015 com os passados na Assembleia Legislativa, diria que foi um dos melhores. Consegui encaminhar 32 projetos para a Assembleia, sendo de importância para  o estado de Pernambuco, com uma abrangência muito voltada para as pessoas menos favorecidas. 6 já se tornaram lei e os outros estão em espera para análise da comissão de justiça e comissões posteriores, de acordo com o tema. Temos 12 leis de projetos nossos em vigência.

As leis pendentes voltam à pauta agora em fevereiro, e, espero que grande parte delas sejam aprovadas, pois são importantes, não visando grupo, nada visando minorias. Assim, acredito que foi meu melhor ano de mandato em função da demanda que fizemos valer para a população pernambucana. Estou ocupando a primeira vice presidência da Assembleia. Praticamente entre 40% e 60% de todas as sessões são comandadas por mim.

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Augusto fala de uma segunda pauta que menciona ser a de maior interesse para a população e que não trata da união entre PT e PR. “Acredito que a segunda pauta se refere ao que uma terceira vai poder fazer no município e o qual o projeto de uma terceira via, já que prevemos um cenário de três vias para o ano eleitoral de 2016. Três vias em Serra Talhada poderá ser de bom tamanho, assim como pode não ter essa terceira, sendo apenas o embate de dois grupos da cidade pela junção dos outros, porque entendemos que ter a candidatura sem ter conteúdo é preferível não ter. Então acredito que Serra Talhada vai ter um bom embate, um embate que eu espero que seja de nível, que seja importante pra sociedade discutir quem será aquele que terá a melhor condição de governar o povo.”

Âncora: Marquinhos Dantas e Nena Magalhães estão agindo sozinhos sem formar grupo. Havendo formação de terceira via com esses nomes, como você avalia?

Augusto César: Acho positiva. Tenho conversado bastante com Dr. Nena, só não acredito que se vá pra uma candidatura sem ter uma musculatura política. Nena está de fato trabalhando para ampliar o entendimento entre os partidos de Serra Talhada e a população. Acredito que ele vai conseguir ganhar musculatura e gordura nessa caminhada, agregando partido. Não acredito numa candidatura de Dr. Nena se ele tiver qualquer tipo de vínculo com o PR. Acho que o PR não dá sombra nem imposto, é o partido que só enxerga ele.  Vejo com simpatia a candidatura de Nena, estando dentro do nosso processo de análise. Podemos ter aliança com ele, com o Prefeito Luciano Duque (…) Estamos analisando isso e podemos ter uma candidatura própria também, pois o nosso partido tem personalidade jurídica, liderança, nomes de alcance político para Serra Talhada. Podemos colocar um nome pra ser avaliado, pra ser discutido e uma coisa muito importante é que tenho conceito e credibilidade política em minha terra. Nossa legenda é uma legenda que não vive  de futrica, não vive de picuinha, é um partido que tem consolidação. Nesse momento, não tenho ainda as definições políticas, estou avaliando e conversando.

Falando ainda das eleições de 2016, o deputado comenta que seu apoio e presença nas andanças da base se manterão como no dia a dia, visto que já faz isso em sua rotina – “Sendo um ano com eleição de prefeitos e vereadores nos municípios e que o deputado é muito cobrado com sua participação, pra mim se deslocar de Recife e dar assistência a minha base não me preocupa muito, porque já faço isso em minha trajetória política. Dou sempre assistência a todos os municípios. Todo final de semana pra mim, consiste em visitar entre 5 e 8 municípios. Estou sempre em contato com a minha base quer seja prefeito, quer seja vereadores, quer sejam associações e sindicatos”, destacou.

Âncora: No passado tivemos um movimento social, o Movimento Cidadania Consciente (MCC) e agora temos o G11 que se forma com base de oposição, mas que a população não entende esse movimento que indica apenas uma figura que é do PR. Qual análise você faz desses dois movimentos?

Augusto César: É muito fácil fazer uma avaliação em poucas palavras, mas nenhum dos dois dá certo, pois já existe uma pré-determinação de quem tem que ser taxado de líder, sendo que o líder não se taxa, ele conquista. Participei do primeiro movimento, o MCC, e foi por isso que me retirei da reunião no meio dela. Vários partidos se retiraram por não aceitarem. Já era coisa pré carimbada. Quem tivesse mais partidos na mão já ia respaldar a candidatura do outro.

Âncora: O MCC não tinha ideologia concreta, não tinha fundamentos e é isso que a população quer saber.. Como você  analisa essa ideologia do G11?

Augusto César: A ideologia política nesse momento de um movimento como o do G11 é ímpar, é única, é o que o cacique quer. Então, logicamente, ele prepara vários partidos em torno dele. Hoje você tem partidos que são sérios, que tem identidade, que tem idoneidade e outros que são feitos na calada da noite. Se alguém se rebelar nesse G11 e tiver um partido que seja vinculado ao líder, ao cacique, e tomar uma decisão de sair, ele sai só porque o partido tira e passa pra outro. Não é um partido ideologicamente construído. É criado para ser uma muleta e algo pra ser negociado, pra ser suporte de mostrar que o cacique tem força porque tem 5, 6, 8 partidos com ele. Isso não vai muito longe, quando as pessoas descobrirem que estão sendo massa de manobra, vão se retirando até sobrar apenas o único e exclusivo partido que é o do cacique. Movimento pra tirar um nome entre quem tiver maior aceitação no grupo, não dá certo.

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Âncora: Como você avalia a atuação de Fonseca que final de semana vai estar na zona rural fortalecendo sua candidatura?

Augusto César: Fonseca pertence a um quadro político importante. Ele teve uma dimensão grande. A prova é tanto que na eleição passada, acreditávamos fazer um projeto político pra Serra Talhada diferente e ele foi a nossa indicação como vice, da chapa do PR, mas ele não deixou de ser do PTB. A malícia estabelecida pela presidência do PR aqui em Serra Talhada foi de buscar Fonseca pra garantir que ele seria o candidato a prefeito do partido dele. Em momento nenhum tratamos com Fonseca dizendo que íamos apoiar Luciano Duque. Discutimos e conversamos e ele foi de acordo. Fui pego de calça curta, ficando surpreso quando tomei conhecimento que ele iria para o PR, até porque como presidente da legenda em Serra Talhada eu estava renovando o partido, renovando a legenda e dando musculatura para a candidatura dos nossos vereadores, pré candidatos a vereadores e foi quando recebi através de um mensageiro, que Dr. Fonseca havia mandado desfiliar pois estava certo que eu iria ficar com Luciano Duque. Não tenho nenhum compromisso com ninguém hoje em Serra Talhada, nenhum partido de aliança, poderei ter, mas estou avaliando qual o melhor caminho para o grupo e qual o melhor caminho.

Âncora: Você acredita que a saída de Fonseca prejudicou seu partido ou ele acabou se prejudicando e entrando em uma enrascada, podendo de última hora Sebastião, ser o candidato do PR e ele acabar voltando ser o vice de 2012?

Augusto César: Talvez a única forma do partido ser prejudicado, seria se eu tivesse manipulado Fonseca, perdendo meu conceito de político, de presidente do partido. Nunca deixei de dar evidência de um nome de grandeza e um nome de primeira linha para disputar a prefeitura de Serra Talhada. Vou lançar esse desafio, vamos ver se Fonseca é candidato a prefeito pelo PR.

Âncora: Sebastião possivelmente teria lhe traído nas eleições de 2012, não cumprindo o acordo?

Augusto César: Não preciso nem dizer. Os blogs já dizem e a população já conhece. A pessoa que não tem compromisso e não tem palavra, é difícil de acreditar. Fonseca – que seria nosso candidato a prefeito – , se foi tirado do nosso grupo, é para no mínimo ser candidato a prefeito do outro lado. Não acredito que ele será candidato do PR, e é até bom que eu desafie, pra ver se de fato eles incorporam a candidatura deles. Ai seria um bom debate para Pernambuco e para Serra Talhada.

Âncora: A saída de Fonseca do PTB e indo pro PR não teve o resultado que o bloco do G11 esperava?

Augusto César: O G11 trouxe Fonseca que é um candidato importante, um médico, um político. Seria ignorância minha dizer que Fonseca não tem, mas Fonseca é fruto de um grupo, fruto de nosso grupo, que acreditou em uma candidatura viável para Serra Talhada. Agora, será que ele vai ser o candidato a prefeito do PR? Acho muito pouco provável.

Âncora: Como está sua relação com Armando Monteiro?

Augusto César: A inauguração do calçamento da Cohab foi uma intervenção minha com o ministro Armando Monteiro. Independentemente do prefeito ser de outra sigla, de ter uma disposição política diferente da nossa aqui em Serra Talhada, nunca deixei de ajudar, não só da Cohab, mas o calçamento do Ipesp, também da contrapartida do FEM, fui eu quem complementou o recurso para ser liberado. Não trabalho Serra Talhada com miudeza pequena não, tem que ter grandeza. O povo não pode pagar por minhas desavenças com A ou com B. Meu filho – Augusto César Filho era deputado estadual e nós colocamos as academias da cidade do Ipsep, Alto do Bom Jesus, calçamento para Serra Talhada, antes do calçamento do Ipsep. Todas as ruas Luiza Kherle, Maria Kherle, Padre Kherle, colocamos emenda no valor de R$250.000 que na época conseguimos junto com Deputado Federal Armando Monteiro, mas o prefeito Carlos Evandro não executou. Assim, a verba acabou voltando. Depois ele conversou comigo pra poder trazer de volta, mas aquela coisa passou, o recurso foi embora e Serra Talhada perdeu por falta de compromisso naquele momento do prefeito com recurso publico. A cidade podia ter talvez 5 ou 6 mil metros de calçamentos feitos em outras áreas.

Estou dentro da questão do aeroporto, tanto que trouxe uma comissão pra discutir o projeto com equipe de parlamentares, a adutora do Pajeú foi iniciativa nossa – 26 parlamentares subscreveram nosso projeto da adutora do Pajeú. Não tenho nenhuma dificuldade em ajudar o prefeito Luciano como sempre fiz. Se dependesse de mim, a Praça Sergio Magalhães seria o primeiro cartão postal para ser executada, obra de porte, estacionamento por baixo pra desafogar, fazer uma praça bonita. Se não desse pra fazer tudo num ano, dividisse durante um governo. Sugeri isso ao prefeito. Disse a ele que poderia inclusive com Senador Armando Monteiro conseguir recursos com parcela nossa.

Âncora: Como você analisa a questão do SAMU?

Augusto César: Não se funciona nenhum órgão ou instituição se não tiver recursos. O Samu de Serra Talhada se não me engano, envolve 17 municípios do Alto Pajeú, Pajeú, região toda aqui, Carnaubeira da Penha, Floresta também, enfim, há uma parceria entre o governo federal, estadual e o município. O governo federal da às ambulâncias, dá o espaço físico de acomodação. A logística fica para a prefeitura. O município sede que atende outras cidades, deve manter o salário, financiamento, combustível, tudo pra dar cobertura ao Samu e as prefeituras que são atendidas tem que dar sua contribuição para tocar a sede, no caso, exemplo de Serra Talhada, mas os prefeitos não tem se manifestado favoráveis, porque não tem recurso pra poder assumir o compromisso. E a cidade sede não pode pegar dinheiro de Serra Talhada e investir em Calumbi, em Flores, onde quer seja. Não estou aqui tampando o sol com a peneira, lamentavelmente estamos mergulhados numa crise muito grande. Quando não tem dinheiro no governo federal, não tem no estadual e nem o municipal, que é quem tem a responsabilidade final. O que percebo, é que nós temos que conhecer a fundo para evitar que se diga “Em Serra Talhada, o Samu não funciona porque o prefeito não quer que funcione”. Se ele botar o dele pra funcionar, funciona só o de Serra Talhada, porque o compromisso dele é esse território, mas como aqui é o espaço de gerenciamento desse agrupamento de ambulância do Samu, a responsabilidade maior é sobre ele, contudo, tem que ter contrapartidas estadual, federal e municipal.

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