Comércio do Recife amarga Carnaval da crise

JC Online
Bobby Fabisak/ JC

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Os clarins de Momo ainda nem soaram e o clima já é de Quarta-Feira de Cinzas pelas ruas do comércio do Centro do Recife. A menos de duas semanas para o início do Carnaval, lojas de adereços, tecidos e fantasias amargam queda de até 40% nas vendas em comparação com o período pré-carnavalesco do ano passado. Além da esperada retração do consumo, o calendário não ajudou nas vendas deste ano. Bem no início de fevereiro, o Sábado de Zé Pereira sofre os impactos dos gastos extras do mês de janeiro e mantém foliões longe das compras.

Destoando das ruas estranhamente silenciosas nas proximidades do Mercado de São José, o movimento dentro da Casas Lapa – uma das mais antigas e procuradas quando se trata de adereços de Carnaval – é intenso. “Mas isso aqui é só fluxo de clientes, que não mudou em comparação ao ano passado. Mas quando você vai para o caixa, conferir quem realmente está comprando, percebemos uma queda de 40%”, lamenta a subgerente da loja, Jeane Xavier.

A procura no local acaba seguindo a regra do que é visto em todo o comércio: consumidores buscando menos produtos e itens mais baratos. “Este ano o calendário fez com que essas compras de Carnaval ficassem na conta de janeiro. Como já pesam despesas mais importantes, como mensalidade de escola, pagamento das compras do fim do ano e alguns impostos, essa despesa extra vai ser cortada”, analisa o economista da Fecomércio-PE Rafael Ramos.

Mas não foi só o comprador que tomou uma postura mais conservadora na hora de programar os gastos para o Carnaval. Diante do pior fim de ano para o comércio desde 2003, poucos lojistas se atreveram a investir em novidades ou produtos mais diferenciados. “A gente se segurou muito na hora de comprar, reduzimos cerca de 30% nossas encomendas. Mesmo assim investimos mais na chita, por exemplo, que é tecido que também tem bastante saída no São João. Então, se sobrar, podemos vender mais tarde”, explica a gerente da Maia Tecidos, Albina Ramos.

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