Empresário aposta na inovação para driblar a crise, em Serra Talhada

Do Âncora do Sertão
Chico Mourato

Empresário Chico Mourato. Foto: Robério Sá / Âncora

Os moldes da economia de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, se movimentam durante a crise que se prolonga no país. Em meio a esse tempo difícil, alguns sentem os reflexos, e outros como o empresário Chico Mourato, da empresa Dinâmica, vislumbram e apostam na inovação, no bom atendimento e na prestação de serviços otimizados. Durante entrevista foram abordados os mais diversos temas que envolvem a capital do xaxado – tais como: crise econômica, aeroporto, inovação no comércio, oportunidade, demanda, oferta, serviços e educação. 

 Âncora: Antes do Natal fizemos um levantamento das vendas, no qual a população e comerciantes apontavam um crescimento de 50% a 60%, considerando os outros meses, mas relatavam uma baixa nas vendas comparado ao ano de 2015. Como você analisa esse cenário de crise econômica?

Chico Mourato: Nas minhas abordagens não costumo fazer avaliação de crise, pois, vemos um tempo longo de desafios para empresários, empreendedores, e, se formos avaliar crise, esquecemos de ir atrás das oportunidades. A palavra crise deve ser transformada urgentemente para não derreter a economia, não derreter a auto estima do empresário, assim como sua capacidade de criação. Esse é o ano para aproveitar o legado do desafio que foi a crise de 2015, mas, muito mais para usar o expediente, investir nas pessoas, cuidar dos clientes. A cidade de Serra Talhada não teve setores que cresceram em 2015, como por exemplo, com a alta do dólar, as exportações do agronegócio cresceram, hotel, bar, restaurante, a parte de turismo, cresceram também no Brasil. Serra Talhada é uma cidade que ficou na média do Brasil, sem ter nenhuma dessas “vocações” de forma consolidada, como o turismo e agronegócio. Nós somos uma cidade essencialmente do comércio, onde o mesmo estabelece as outras atividades, sendo também um polo educacional, polo médico. 

Âncora: Fizemos uma avaliação e Serra Talhada apresenta um número de queda na geração de empregos. Nesse ano de 2016 em Serra Talhada, onde devem surgir as maiores oportunidades e como os setores comerciais da cidade devem se movimentar para inovar e atrair o público consumidor?

Chico Mourato: O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), apresenta o número de Serra Talhada, havendo um equilíbrio entre as pessoas empregadas e desempregadas. Sob este aspecto, estou falando, pois é um dado real público. Destaco que existem muitos seguimentos de serviços, e, muitas pessoas saem da empregabilidade e vão para trabalhos autônomos, considerado que Serra Talhada está entre os 17 municípios que mais cresceram em Pernambuco. Acredito que os seguimentos que irão crescer em Serra Talhada, serão todos aqueles que apostarem na inovação. O Brasil não pode permanecer nessa agonia, se não, sua economia vai se derreter, por culpa de uma crise política. Não estou dizendo que os políticos são os únicos culpados, mas estão ajudando a derreter a economia brasileira. 

Âncora: Como você vê a atuação da universidade e dos novos cursos que chegam a Serra Talhada pra que essa inovação aconteça?

Chico Mourato: É uma história antes e outras depois das universidades, principalmente depois a UAST. As universidades já conseguem sair da porta pra fora, já tem muitos profissionais no mercado, outros que ainda estão no forno, mas falo muito mais da criatividade, da capacidade de inovar os processos, que as empresas tem, independentemente desse apoio advindo da academia. Atender as pessoas de um modo diferente é uma forma de inovar. A disposição dos produtos, a alteração dos layouts, são formas de inovar. Existem mil e uma formas, sem alavancar custos. Se imaginar que para inovar precisa alavancar custos, é colocar dificuldades de ajustes. E ai, as universidades podem ajudar de forma significativa, pois, quem sai, está com a cabeça fervilhando pra fazer coisas que necessariamente ajudam. Basta ver o que aconteceu em 2015, o ano dos Startup Weekend. 

Âncora: Qual a importância das obras do aeroporto e condomínio industrial para o comércio empresarial de Serra Talhada?

Chico Mourato: O aeroporto não é uma obra em si como qualquer outra, é um vetor de desenvolvimento. Se não tivermos o aeroporto funcionando nos próximos anos, as universidades definham, os empreendimentos definham, pois esse isolamento não pode perdurar por muito tempo. Na velocidade com que as coisas precisam acontecer, se perdurar por muito tempo, podemos ficar pra trás. Terminar esse aeroporto significa incluir Serra Talhada, para alçar de patamar e disputar com outros centros do Brasil a fora, pois nós temos essa capacidade. E, o fato de não ter o condomínio industrial atrapalha, e muito! Esse é um empreendimento privado, que aponta pro desenvolvimento de Serra Talhada. 

Âncora: Como os empresários discutem quanto ao Shopping de Serra Talhada? Qual a expectativa deste empreendimento para a cidade apesar de ser privado?

Chico Mourato: Estamos preocupados, não com o shopping em si, mas como um centro de compras organizado, a preocupação é organizar o comércio de rua e já estamos fazendo isso. Primeiro com o apoio da Federação do Comércio em consonância com o Sebrae. Estamos vendo projetos para a requalificação de alguns espaços, junto com o governo municipal, a estação do empresariado. Precisamos nos preparar, pois o shopping é uma grande atração, mas é preciso trabalhar para que o comércio de rua continue exercendo atração pros consumidores virem a cidade, então, o shopping nos dá a oportunidade de melhorar o comércio de rua, aprimorando suas vocações, e mantendo a identidade do comércio de Serra Talhada.

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