Prefeito de São José do Egito pode ter promovido festa com shows superfaturados

Prefeito de São José do Egito

Prefeito de São José do Egito / Romério Guimarães (PT)

A Prefeitura de São José do Egito gastou em torno de R$ 300 mil para promover a Festa de Reis.  O evento foi realizado entre os dias 5 e 6 de janeiro do corrente ano, tendo como principal atração o cantor Gabriel Diniz.  Enquanto isso, a dengue já pegou todo mundo e até matou pessoas idosas no município.  No único hospital da cidade, que é municipalizado, faltam dipirona, soro, tylenol, e até papel higiênico.  A cidade denominada de berço imortal dos poetas fica localizada no Sertão do Pajeú, a 404 km do Recife, tendo como prefeito Romério Guimarães (PT).

Na mais recente matéria investigativa promovida por uma rádio local, tendo este jornalista como idealizador, recebemos de uma fonte que devemos preservá-la, as cópias dos contratos dos shows que se apresentaram na referida festa. Em todos os contratos existe superfaturamento em torno de um percentual na casa de 100%.

Veja, por exemplo, cópia ilustrada do show de Gabriel Diniz. Ele sempre tocou na região por R$ 45 mil, mas no contrato com a prefeitura consta R$ 90 mil reais – e assim ocorreu com Forró Estigmado, Mano Walter e Cheiro de Menina.  Esta última costuma tocar nas cidades vizinhas por R$ 20 mil, mas está escrito que a Prefeitura pagou R$ 42 mil.

Como provamos isso? Através de um contato por telefone entre empresários e representantes das Bandas supracitadas que se apresentaram durante a festividade, como mostra o documento oriundo de dentro da Prefeitura. Os empresários asseguraram, sem saber que estavam sendo gravados, que receberam X, mas nos contratos constam XX.

Isso não é a primeira vez que ocorre corrupção nos contratos de festas realizadas no governo de Romério. A mesma banda Cheiro de Menina, que este ano supostamente teria recebido R$ 42 mil para tocar na Festa de Reis, também, em 2013, e na mesma gestão, teria recebido metade do que constou no contrato – este caso por sinal foi parar no Ministério Público local, que devida as dificuldades para chegar nos responsáveis pelas bandas, ainda continua investigando os suspeitos.

As distorções encontradas entre o que dizem os empresários das bandas e o que está escrito nos contratos variam entre R$ 45 e R$ 22 mil, ou seja, Gabriel Diniz teria recebido R$ 45 mil, a Prefeitura faturou R$ 90 mil. Cheiro de Menina teria recebido R$ 20, mas no contrato está que Prefeitura pagou R$ 42 mil e por aí vai…

‘O prefeito, que está com a imagem no fundo do poço, “meio queimado” e este ano haverá eleição, tenta passar para seu eleitorado que sua situação está ótima, basta ver as 30 mil pessoas no centro da cidade’, disse um vereador ligado ao prefeito se referindo ao evento. Nesta estatística, o prefeito está equivocado – a cidade só possui 32 mil habitantes. Já um ex-vereador e ex-secretário do prefeito soltou essa: “Crise, que crise? O prefeito vai gastar agora do erário em torno de 200 mil com o Galo da Travessa para satisfazer seu ego”.

O galo é uma festa de carnaval antecipado onde o prefeito sai na frente dos trios elétricos, enfeitados só com cruz de beira de estradas. Na verdade, o município de São José do Egito vive seu pior momento. A infestação do mosquito da dengue é maior do que em qualquer cidade do País. É difícil encontrar uma casa para na família não ter mais de uma pessoa contaminada. O prefeito, alegando falta de dinheiro, demitiu mais de 15 agentes de saúde que enfrentavam a larva do Aedes Aegypti – mas não faltam recursos para pagar os contratos de bandas superfaturados.  O lixo toma conta do lugar. A cidade, esburacada, e o povo vivendo pior a pior, feito a cantiga da perua. E ainda tem gente que diz:  “Eita, que prefeito bom!”

Por Cláudio Soares,  Jornalista e Bacharel em Direito

VEJA TAMBÉM